Embalagem impressa: os bastidores da impressão flexográfica
- Aldoplast

- 19 de jan.
- 4 min de leitura
O desenvolvimento de uma embalagem impressa envolve muito mais do que simplesmente aplicar uma arte sobre um filme plástico, como se fosse uma impressora comum de computador. Antes que a impressão flexográfica aconteça, existe um conjunto de decisões técnicas que influenciam diretamente o resultado final, a viabilidade produtiva e até mesmo as dimensões da embalagem.
Quando o cliente envia a arte gráfica, o processo está apenas começando. Esse material precisa ser analisado e adaptado para funcionar corretamente dentro das características da embalagem, do tipo de material utilizado e do sistema de impressão flexográfica.
Neste artigo, explicamos esse passo a passo, para que você possa entender melhor tudo o que está envolvido nesse processo.

A adaptação da arte para a embalagem impressa
Uma arte criada em ambiente digital não considera, necessariamente, as particularidades de uma embalagem impressa. Por isso, após o recebimento do arquivo enviado pelo cliente, realizamos uma análise técnica que leva em conta diversos fatores, como:
tipo de embalagem (saco plástico ou bobina)
largura e comprimento da embalagem
tipo de solda (quando houver)
espessura do filme plástico
sentido de bobinagem
aplicação final do produto
Outro ponto fundamental nessa análise é a capacidade do maquinário que será utilizado na fabricação. Por exemplo, se a impressora possui uma largura útil de 60 cm, não é possível imprimir embalagens maiores do que essa dimensão. Esse tipo de limitação precisa ser considerado desde o início do desenvolvimento para evitar ajustes tardios ou inviabilidade do projeto.

A influência do filme plástico e das cores na impressão
Na definição do número de cores da arte, um aspecto que muitas vezes não é levado em conta é a transparência do filme plástico e o comportamento da tinta quando aplicada sobre ele.
Diferente do que ocorre na tela do computador ou na impressão em papel — onde normalmente existe um fundo branco que realça as cores — no filme plástico esse fundo não existe. Isso pode alterar significativamente o resultado visual da impressão.
Quando o cliente faz questão de manter cores mais vivas ou maior destaque visual, é comum a necessidade de aplicação de um fundo branco como base de impressão. Esse recurso corrige o efeito da transparência e garante maior fidelidade ao layout original.
Além disso, margens de segurança, áreas próximas às soldas e o posicionamento dos elementos gráficos exigem atenção especial. Esses cuidados evitam distorções, perdas visuais e problemas durante a produção, garantindo que a identidade visual do cliente funcione corretamente dentro da realidade técnica do fabricante.
Cilindro porta-clichê e o passo de impressão
Nesse processo, um componente fundamental — e muitas vezes pouco conhecido pelo cliente — é o cilindro porta-clichê. É ele que recebe o clichê e gira durante a impressão, determinando o desenvolvimento do desenho ao longo do filme plástico.
O diâmetro do cilindro porta-clichê influencia diretamente o chamado passo de impressão, ou seja, o comprimento do layout que se repete ao longo da embalagem. Por esse motivo, ele é um dos fatores que podem definir se uma embalagem impressa pode ou não ser produzida exatamente na medida desejada pelo cliente.
Quando não é possível atender uma medida exata, outras dimensões são sugeridas, sempre o mais próximo possível do projeto original, buscando equilíbrio entre viabilidade técnica, qualidade de impressão e expectativa do cliente.
Em alguns casos, para atender a um comprimento específico de embalagem ou a um layout personalizado, é necessário utilizar cilindros porta-clichê com medidas compatíveis com o projeto. Essa análise é essencial para garantir repetibilidade e qualidade na impressão flexográfica.
A clicheria e o trabalho de pré-impressão
Após essa primeira análise de viabilidade técnica, todas as informações sobre como a impressão será realizada, juntamente com o arquivo fornecido pelo cliente, são enviadas para uma empresa especializada chamada clicheria.
É a clicheria que manipula a arte, adapta o layout aos dados técnicos informados pelo fabricante e realiza todos os ajustes necessários para a confecção do clichê. Caso o cliente não possua um arquivo finalizado, a clicheria também pode desenvolver a arte do zero, seguindo as orientações fornecidas.
Quando a arte contém imagens, como fotografias, todos os tratamentos e ajustes necessários também são realizados nessa etapa. A arte final é então enviada ao cliente para aprovação e para o acerto dos valores relacionados à confecção do clichê.
Esse processo de pré-impressão é extremamente importante, pois qualquer falha nessa etapa pode resultar em tempo e dinheiro perdidos. Dependendo da complexidade do projeto, essa fase pode demandar mais tempo justamente para evitar erros futuros.
O clichê na impressão flexográfica
Com a arte tecnicamente validada, inicia-se a confecção do clichê, uma matriz física que pode ser comparada a um carimbo. O clichê é responsável por transferir a tinta para o filme plástico durante a impressão flexográfica.
Ele é produzido a partir da arte final aprovada, com separação correta das cores e definição precisa de cada elemento gráfico. Uma clicheria de qualidade, com equipamentos atualizados, faz diferença especialmente em trabalhos que exigem maior nível de detalhamento e precisão.
A durabilidade do clichê pode variar de acordo com o uso, sendo o tempo de operação um dos principais fatores de desgaste. Em muitos casos, ele pode durar no mínimo quatro anos, ou até que o cliente solicite alguma modificação. Quando alterações são necessárias, o processo tende a ser mais simples, pois os arquivos vetorizados já estão armazenados na clicheria.

Por que esse bastidor técnico faz diferença
A qualidade de uma embalagem impressa não depende apenas da arte visual, mas da integração entre design, engenharia, clichê e cilindros porta-clichê dentro do processo de impressão flexográfica.
Quando essas etapas estão bem alinhadas, o resultado é uma embalagem com estabilidade visual, repetibilidade e eficiência produtiva ao longo dos lotes. Esse bastidor técnico, muitas vezes invisível para quem vê a embalagem pronta, é o que garante que o produto final chegue ao mercado com qualidade, desempenho e consistência.
Mais do que simplesmente imprimir uma arte, desenvolver uma embalagem impressa é um trabalho técnico que envolve planejamento, conhecimento do processo e decisões estratégicas. Todo esse cuidado existe justamente para evitar retrabalho, reduzir riscos e garantir que o cliente receba uma embalagem alinhada com suas expectativas desde o início do projeto.




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